"Jazem os olhares em campos verdes acinzentados, adormecidos na alma da montanha.
Criadores de sonhos banhados pelo sol elevados pelo riacho da vida sem tempo na floresta dos desejos,
são os sonhos do vento que batem nos altos ciprestes." C.B.
terça-feira, 10 de julho de 2012
Quando o bucolismo é convidado para a escola
Pela serra fora
"Caminho pela serra sem destino
Que não seja abraçar tudo que veja:
A urze, a orquídea, o rosmaninho, o lírio,
O tomilho, o espinheiro, a carqueja.
Entre os cardos, florindo, os malmequeres;
Entre as pedras, carvalhos e oliveiras;
O musgo, os fetos, o alecrim, as eras;
As abelhas p'las flores das tojeiras.
Da chuva que rasgou sulcos profundos
Ao sol e à sombra zebrando o caminho,
Meu mundo é feito de pequenos mundos...
Caminho só, mas nunca ando sozinho...
Trago comigo o Torga e a Sofia
E as canções do Ary, a trautear...
Com o Torga, aprendo a ouvir a Penedia;
Com a Sofia, à serra chega o Mar."
Serra do Rabaçal, 6.2.2012 - Santos Kim
O programa delimitado pelo Ministério da Educação pode ser incontestavelmente um pretexto para abordar a temática do bucolismo pouco destacada pelos professores e a multiplicidade de autores apresentados permite analisar as diversas representações do tema em dois séculos ricos na literatura portuguesa que os aprendentes irão descobrir no decorrer dos três anos de Ensino Secundário. Sem dúvida, textos de conteúdo mais versátil e, por vezes, complexos, servem de suporte para abordar a pastoral e as suas diversas concepções e dicotomias, sobretudo do Romantismo à era modernista.
Com efeito, no 10° ano, a poesia do século XX insere-se na matéria estudada, podendo ser ressaltados autores como Miguel Torga, poetas da geração da "Presença" (tais como José Régio, Francisco Bugalho e Carlos Queirós), António Aleixo ou, ainda, Nuno Júdice, escritores que permitem entender em que consiste a pastoral moderna. Alguns textos de Alberto Caeiro (tendo sido autor ficcional nos primeiros anos do século XX) também podem ser objectos de estudo nesse período.
Em seguida, no 11° ano, evidencia-se a abordagem dos textos de Almeida Garrett, de Eça de Queirós e de Cesário Verde. Neste âmbito, o estudo de A Cidade e as Serras poderá permitir a análise do conto "Civilização", texto plenamente relacionado com o romance em questão e intensamente bucólico.
Por fim, no 12° ano, após uma consolidação dos conteúdos anteriores, uma descoberta mais profunda do poeta da Natureza e das sensações, Alberto Caeiro, será possível.
Na realidade, com esta variedade literária, pretende-se ampliar a sensibilidade e o interesse do jovem leitor para, assim, demonstrar que o bucolismo é a escrita que promove as sensações, tornando-se uma necessidade para aquele que escreve, mas também para aquele que lê.
Subscrever:
Enviar feedback (Atom)
Sem comentários:
Enviar um comentário